INFORMATIVO
FALSIFICAÇOES NA MIRA DO DETRAN-SP
Habilitação difícil
Edson Ferraz
A partir desta quinta-feira, tirar a carteira de motorista em São Paulo está mais difícil - pelo menos no que se refere à documentação. A medida é uma resposta das autoridades depois que ficou comprovada a existência de uma fraude interestadual.
As carteiras revelam a fraude. Elas foram registradas no DETRAN de são Paulo. No papel, tudo correto: exames médicos e psicológicos e o teste de direção. Mas as investigações mostram que as pessoas nunca estiveram no estado para fazer as provas. Nem chegaram a sair da região de Divinópolis, Minas Gerais, a 500 quilômetros da capital paulista.
André Luiz Gonçalves, instrutor de uma auto-escola da cidade, vendia cada carteira por R$ 2 mil. Sem ir a nenhuma aula, um homem que não quis se identificar conseguiu a habilitação. “Ele só pedia pra arrumar os documentos. Carteira é de São Paulo. Falava que era uma carteira quente”, revelou.
Em depoimento, o instrutor disse que ficava só com parte do dinheiro. O resto ia para Hédio de Oliveira, que, segundo a polícia, é o chefe do esquema no centro-oeste de Minas. Ele está preso.
Anotações e cheques apontam que Hédio negociava, por mês, cerca de 50 habilitações, com faturamento de R$ 100 mil. Parte era para auto-escolas de São Paulo que conseguiam os documentos.
Promotores que combatem o crime organizado em São Paulo analisaram as carteiras apreendidas em Minas. Descobriram que os nomes de médicos, de psicólogos e de funcionários de delegacias de trânsito da Grande São Paulo aparecem em vários prontuários que foram forjados. Para o Ministério Público, um indício de que o grupo também participava da fraude.
Os promotores sabem que várias habilitações foram emitidas pelas delegacias de trânsito de Mogi das Cruzes, de Diadema e de São Paulo. O nome do examinador Emilio Peres Castilho aparece em seis testes de direção que nunca chegaram a ser feitos. O nome do oftalmologista Pwa Kiong Ping e o do psicólogo Diego Santos estão em 12 exames falsos.
O examinador, o oftalmologista e o psicólogo não quiseram gravar entrevista, mas negaram participação no esquema. “Merece uma investigação séria para evitar que fatos como esse se repitam no futuro”, disse Silvio Loubeh, promotor de justiça.
A direção do Detran de São Paulo também investiga a fraude e já determinou uma mudança: agora, as pessoas só vão poder tirar a habilitação na cidade onde o título de eleitor está cadastrado.
“Visa um maior rigor na fiscalização por parte dos senhores delegados diretores de Ciretran com relação à fiscalização em cima do endereço dos condutores”, afirmou Luiz Henrique Ribeiro Artacho, delegado do Detran.
Em Minas, quem foi flagrado com a carteira irregular perdeu dinheiro e terá que prestar contas à Justiça. “O que eu fiz foi errado. O que vem fácil vai fácil também”, disse um homem.
Segundo a polícia de Minas, 20 pessoas que compraram as carteiras de São Paulo vão responder em liberdade por corrupção ativa e falsidade ideológica.
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